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Braga (Distrito)

O distrito de Braga, um dos mais importantes do país, ocupa uma área de grande importância no norte de Portugal, indo desde o Oceano Atlântico até à fronteira com Espanha.
É delimitado a norte pelo distrito de Viana do Castelo, a sul pelo distrito do Porto, a ocidente pelo mar, a leste pelo distrito de Vila Real e a nordeste, numa estreita área, pela Espanha. É o coração da antiga província do Minho.
Com uma área de 2673 quilómetros quadrados, é constituído por quinhentas e quinze freguesias, distribuídas por catorze concelhos: Amares, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Esposende, Fafe, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão, Vila Verde e Vizela.
O concelho com mais freguesias é Barcelos, com oitenta e nove («record» absoluto em Portugal), o concelho que tem menos freguesias – e simultaneamente o mais jovem de todos – é Vizela, com sete.

Em termos de relevo, dir-se-á que estamos em presença de um território muito diversificado. Trata-se de um distrito que é plano nas terras mais próximas do mar e que, ao mesmo tempo, é muito montanhoso nos concelhos de interior. A Serra do Gerês é a prova mais significativa da afirmação anterior.
No que diz respeito à rede hidrográfica, o rio Cávado é mais importante. Corta totalmente o distrito, servindo de fronteira com o distrito de Vila Real. Desagua no litoral de Esposende, ainda no distrito, numa zona relativamente plana.
A bacia hidrográfica do Cávado inclui ainda o vale do Rio Homem, que nasce no Gerês e desagua no Cávado na confluência dos concelhos de Vila Verde, Amares e Braga. A Barragem de Vilarinho das Furnas é especialmente relevante no que toca à fisionomia e à história dos concelhos que toca.
O rio Ave também marca decisivamente a fisionomia do distrito de Braga. Nasce na Serra da Cabreira e atravessa a sua parte sul, servindo de fronteira com o distrito do Porto. Um dos afluentes do Ave, o Vizela, continua o limite sul do distrito ao longo de vinte quilómetros. O rio Este é outro dos afluentes do Ave.
O rio Neiva, por fim, serve de fronteira com o distrito de Viana do Castelo.

Em termos históricos, toda esta zona actualmente abrangida pelo distrito foi povoada desde muito cedo. Para além dos vestígios pré-históricos, a Estrada da Geira assume-se como o maior símbolo do período pré-Nacional desta região do noroeste peninsular. Construída no período Romano, demonstra o quão era importante, para o imperial povo, esta região, sobretudo em termos estratégicos.
A principal estrada construída no território nacional ligava Lisboa a Braga, ou Bracara Augusta. Passava, no seu percurso, pelas principais cidades da época - Santarém, Tomar, Leiria, Conimbriga, Coimbra, Santa Maria da Feira, Gaia e Porto. De resto, o «Itinerário Antoniano», obra pela qual temos conhecimento das principais estradas do Império Romano, indica cinco ligações entre Braga e o resto da Península Ibérica: Braga-Lisboa, pelo Porto; Braga-Astorga, por Chaves; Braga-Astorga, pelo Gerês; Braga-Astorga, por Ponte de Lima-Tuy; e Per Loca Marítima, ou seja, por mar.
Uma destas estradas, aquela que ligava Braga a Astorga pelo Gerês, passava por grande parte do actual distrito. Era a chamada geira romana, que permanece na memória colectiva através de uma série de marcos miliários ao longo de toda a sua extensão. É possível assim, através desses monumentos, conhecer o percurso exacto da estrada que os Romanos utilizaram para ligar dois pontos fundamentais do seu Império.
«A geira permanceu, durante largos séculos, no maior esquecimento, sujeita à acção deletéria do tempo e da mão criminosa da ignorância, a que só resistiu pela vastidão da sua monumentalidade que não foi possível destruir inteiramente. No entanto, é fora de dúvida que a língua que falamos, os costumes e a civilização que herdamos, tudo veio por estes caminhos e já a partir da sua própria construção pelo convívio e colaboração dos naturais com os obreiros colonizadores da Roma imperial, à medida que nosso remotos antepassados se foram familiarizando com a Latinidade. (...)
Conserva-se firme na tradição das populações locais a lembrança de que aqui passava a Geira, existindo ao mesmo tempo muitos indícios de forte romanização. E diziam homens velhos do Barreiro (antiga Triviada) que o antigo alpendre da sua igreja era sustentado por dois marcos de Geira, devidamente adelgaçados pelos pedreiros. Uma vez retirados por ocasião das obras na matriz, um deles, depois de retalhado, foi aproveitado por um lavrador da freguesia para cilindro das sementeiras; o outro, evitou que ele sofresse o mesmo triste destino o Senhor Paulo Macedo, industrial na Feira Nova, que o conserva na sua propriedade de Barreiros, mas teve de oferecer ao lavrador por troca um cilindro já devidamente aparelhado com ferragens, que para tal efeito mandou fabricar.» (Domingos M. da Silva, «A Geira e a sua História»)
O fim do Império foi ditado pelas Invasões Bárbaras. Povos vindos de longe, pagãos, que rapidamente se converteram ao Cristianismo. E mais uma vez a região de Braga se assumiu como ponto de fulcral importância para a nova rede católica erguida pelos Suevos e pelos Visigodos. Essa primevas paróquias que se erigiram vieram a estar na base das actuais freguesias. As freguesias que, afinal de contas, são a razão de ser de todo este trabalho.
Miguel de Oliveira, em «Paróquias Rurais Portuguesas», assinala com veemência que, «no admirável conjunto das instituições da Igreja visigótica, a paróquia aparece normalmente constituída no século VI e não devia ser dos organismos menos perfeitos. A ocupação muçulmana que se seguiu ao desastre de 711 não pôde apagar a influência que ela exerceu na vida da população rural. Igrejas e basílicas, dispersas pelos campos, embora por algum tempo abandonadas ou até caídas em ruínas, lembravam sempre a antiga unidade religiosa. Ao redor delas, se agruparam os elementos subsistentes e se formaram, após a Reconquista, os novos aglomerados populacionais.»
A grande profusão de topónimos de origem germânica indicia, neste aspecto, um povoamento de grande intensidade. Ou seja, os novos possessores que aqui chegaram, terminando com o longo domínio Romano, apoderaram-se da generalidade das «villas» agrárias existentes e deram-lhes o seu nome. É por isso que, actualmente, muitas das freguesias do distrito, ou dos lugares que as compõem, têm topónimos que provêm desse período histórico. São, muitas das vezes, nomes de origem agrária. São, na sua maioria, nomes que estão relacionados com a exploração das terras
E assim se chegou aos anos que antecederam a fundação da Nacionalidade, com a diocese de Braga a tornar-se uma das mais importantes do país. Uma diocese que parece remontar ao século III mas que, com o Bispo D. Pedro, se assume definitivamente na história da Igreja portuguesa. Em 1070, este fixa-se definitivamente em Braga, promovendo a reconstrução da devastada cidade. Começou pela Catedral, dedicada liturgicamente em 29 de Agosto de 1089 pelo Legado do Papa, o Arcebispo D. Bernardo de Toledo. A partir daí, foram mais de cinquenta os Arcebispos de Braga, que chegaram a comandar os territórios das dioceses de Porto, Coimbra e Viseu e mais cinco dioceses em Espanha.
Não poderíamos esquecer, aqui chegados, a importância do distrito na fundação da Nacionalidade. Perto de Guimarães, decorre a Batalha de S. Mamede, na qual D. Afonso Henriques se assume como o líder incontestado do Condado Portucalense. Natural ou não de Guimarães, o certo é que a cidade conquistou muito justamente o epíteto de «berço da Nacionalidade».
Um outro Bispo, já no século XVI, seria responsável pelo ressurgimento da cidade de Braga e, por arrastamento, de todo o distrito. Entre o século XVI e o século XVIII, os edifícios de traça romana vão sendo apagados e substituídos por edifícios de arquitectura religiosa. Braga torna-se então, em grande parte graças a André Soares, o «ex-libris» do Barroco em Portugal.
Hoje em dia, Braga é um dos mais importantes distritos do país. Como sempre, tem na cidade de Braga, a maior cidade portuguesa a seguir a Lisboa e ao Porto, o seu grande motor de desenvolvimento. Segundo o Censos de 2001, vivem no distrito mais de oitocentas mil pessoas. 831 369 habitantes, ou seja, quase 10% da população portuguesa.
Um número que comprova a bem a importância do distrito na economia do país. Uma economia fortemente industrializada, com predominância para os têxteis e calçado no Vale do Ave e para outros sectores. Existe ainda muita agricultura, sobretudo nos concelhos do interior, onde o «verde dominante da paisagem» ainda é uma realidade. O turismo, por fim, é um sector a incrementar. O património monumental, que adiante se descreve em pormenor, e as belezas naturais, em particular nas serranias do Gerês, fazem de Braga um distrito muito atractivo e digno de figurar entre os mais belos de Portugal.
Quer o site retratoserecantos.com.pt quer o livro «Retratos e Recantos do Distrito de Braga» tentam dar a conhecer um pouco de toda esta realidade. Uma realidade milenar, que dos primórdios à actualidade tem contado com milhões de ilustres. Os populares, o povo – todos aqueles, que com o suor de cada dia, fizeram de Braga tudo aquilo que o distrito é hoje.

Distrito de Braga Terras de Bouro Vila Verde Amares Braga Povoa de Lanhoso Vieira do Minho Guimaraes Vila Nova de Famalicao Vizela Fafe Celorico de Basto Cabeceiras de Basto Barcelos Esposende Esposende
   
 
  De momento, o Retratos e Recantos dispõe de informações sobre 1895 Freguesias.  
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